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PROJETO PEDAGÓGICO
1. Marco Referencial
Nesta proposta entende-se por marco referencial a descrição da realidade, tal qual ela se apresenta, a fim de que a formação do profissional, não se distancie do comprometimento com a solução dos problemas da sociedade na qual atuará.
1.1. A história do município de Pelotas
Pelotas, cidade pólo econômico e cultural da região sul do Rio Grande do Sul, está entre os 50 maiores municípios brasileiros, com aproximadamente 300 000 habitantes. Seu clima subtropical úmido apresenta temperaturas médias de 17,8º C. Com sua localização às margens da Lagoa dos Patos, distando 250 km de Porto Alegre e 600 km de Montevidéu, constitui importante entroncamento rodoviário do sul do Brasil, destacando-se sua proximidade com o superporto de Rio Grande, do qual dista apenas 50 km.
Em relação à história do município, Pelotas nasceu de um modo diferente de outras cidades. Tudo começou ao tempo da pelota; do bracejar do negro no rio puxando a embarcação que originou o nome da cidade, ou da faina dura nas charqueadas, onde foi fonte geradora, impulsionadora e realizadora efetiva do progresso de uma cidade. Surgiu ao redor das charqueadas, do trabalho, da economia, da cultura, da religião trazida pelo açoriano, vinda de além mar. A sua natureza pacífica e o apego às coisas do espírito, desde o início lembrou Athenas, que sobressaiu-se na Grécia pela cultura. Pelotas não só foi culta desde o princípio, como ditou cultura como exemplo de desenvolvimento. Nela circularam os primeiros carros da província (carruagens); nela artesãos qualificados primeiro fizeram vidros coloridos sobre treinamento dos franceses, etc. Nota-se aí a benéfica influência francesa, um dos fatores do progresso, refletido nos costumes do bonito falar e bonito vestir; bonito adornar a casa com relíquias de cristal, ouro, porcelana e prata e, mais que tudo na arquitetura, que chegou até nossos dias, nos casarões que ainda sobrevivem. (León, 1994)
Pelotas foi fundada em 07 de julho de 1812, desmembrando-se de uma grande extensão de terras chamada São Pedro do Rio Grande do Sul, foi então denominada Freguesia de São Francisco de Paula.
A freguesia foi elevada à categoria de Vila de São Francisco de Paula em 1832. Nesta data o território foi desligado do município de Rio Grande. Finalmente em 27 de julho de 1835, obteve a categoria de município, já com o nome de Pelotas, conforme lei n° 05.
Pelotas hoje é um importante centro cultural, industrial, comercial e político, devido à sua condição de possuir duas universidades - Federal e Católica, de contar com um comércio e indústria desenvolvidos, conseqüência das características agropecuárias do município. Possui excelentes rebanhos bovinos, ovinos, eqüinos e suínos, apresentando também, uma agricultura intensa destacando-se a cultura do arroz, pêssego, aspargo, figo, morango. (Varoto, Sousa, 199_ )
Dados demográficos do município:
- Contagem da população em 1996:
· Total: 304.276 Hab.
· Mulheres: 52,4%
· Homens: 47,6 %
- Áreas domiciliares:
Urbana: 92,9%
Rural: 7,1%
- Segundo abastecimento da água:
Total: 2,177.469 com canalização interna
Total: 311,755 sem canalização interna
- Com relação a faixa etária:
· ... 13 anos - 6,9%
· 14 anos - 7,3%
· 15 a 20 anos - 32,2%
· 59 a 60 anos - 26,6%
· 64 a 65 anos - 17,4%
· 69 a 70 anos - 4,7%
· Mais de 70 anos - 4,6%
1.2. Histórico da UFPEL:
A Universidade Federal de Pelotas é uma das maiores Instituições Educacionais do Sul do Estado. Criada pelo Decreto Lei n° 750 de 8 de agosto de 1969. Tem como objetivos fundamentais a educação, o ensino a investigação e a formação profissional, como também desenvolvimento científico, tecnológico, filosófico e artístico da região na qual está inserida.
Cumpre sua missão mediante o desenvolvimento simultâneo das atividades de ensino, pesquisa e extensão, distribuída em cinco áreas:
- Ciências Agrárias;
- Ciências Exatas e Tecnológica;
- Ciências Biológicas;
- Ciências humanas;
- Letras e artes.
Embora seja uma Universidade jovem, com apenas 30 anos, aglutina, em sua estrutura acadêmica, uma Escola Centenária de Agronomia (115 anos). Sua origem justifica, portanto, a tendência natural de desenvolver, com maior ênfase, nos primórdios de sua história, a área das Ciências Agrárias.
A Universidade Federal Rural surgiu então, da transformação da antiga Universidade Federal do Rio Grande do Sul, anexando a Faculdade de Direito, Odontologia e o Instituto de Sociologia e Política, pertencentes até então a UFRGS, e unidades federais de ensino, tais como: Conservatório de Música, Escola de Belas Artes e Faculdade de Medicina.
Estrutura física da UFPEL:
Compreende 21 unidades acadêmicas em 4 campos nos municípios de Pelotas e Capão do Leão.
O campus do Capão do Leão possui uma área de 106 hectares e concentra o maior número de prédios e Unidades Acadêmicas. No campus da Palma com 1256 hectares de área encontra-se o centro agropecuário da Palma, responsável pelo apoio as atividades de produção, de ensino, de pesquisa e de extensão da área de Ciências Agrárias, contando também com o Conjunto Agrotécnico Visconde da Graça, responsável pelo ensino técnico no 2º grau.
O campus da cidade possui 5 hectares dispersos na zona urbana de Pelotas com Faculdades e Cursos das áreas das Ciências Humanas e da Saúde.
População Universitária:
Comunidade Universitária Total
Docentes 894
Técnicos Administrativos 1397
Alunos de Graduação 5889
Alunos do Ensino Agrotécnico 630
Alunos de Pós-graduação 553
Alunos em Mestrado 445
Alunos em Doutorado 105
Graduação:
Atualmente, a UFPel oferece, através do concurso vestibular, 1459 vagas para os seus 41 cursos de graduação.
Pesquisa e Pós-Graduação:
Para atender ao rápido desenvolvimento científico e tecnológico a UFPel vem concentrando esforços na implementação de novos programas de pós graduação e na consolidação dos atuais, especialmente em áreas de maior procura pela sociedade.
UFPEL na atualidade:
A UFPel é um dos maiores centros educacionais do distrito Geo-Educacional 36, que inclui uma comunidade de 25 municípios. Recebe também alunos estrangeiros oriundos da Argentina, Uruguai, Chile, Peru, Panamá, Angola, Cabo Verde, Paraguai, Bolívia, Nigéria, Honduras, Venezuela, Espanha e Portugal.
A universidade ciente de seu compromisso com a sociedade, tem como um de seus objetivos, qualificar por meio de programa de pós-graduação, os profissionais da área da saúde que atuam na prática assistencial; esta qualificação beneficiará tanto a comunidade acadêmica, quanto a coletividade em geral.
Do ponto de vista da participação da extensão da UFPel em projetos estaduais, destaca-se as atividades de professores e estudantes nos programas como Universidade Solidária e Alfabetização, do governo federal; e Juventude Solidária, do governo estadual.
A situação privilegiada de proximidade tanto do Uruguai como da Argentina, abre a perspectiva da UFPel como ponto de referência, de intercâmbio científico, econômico e cultural do Mercosul.
1.3. A Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia
Histórico
A Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia da Universidade Federal de Pelotas foi criada na forma de curso independente, sendo seu departamento vinculado à Faculdade de Medicina. Sua criação aconteceu em decorrência do estímulo pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) de expansão de cursos de enfermagem no território nacional, em vista da baixa relação enfermeiro X número de habitantes.
A criação do Curso de Enfermagem e Obstetrícia teve sua aprovação no Conselho Universitário em 24/08/76, por portaria n° 01/76 da UFPel. Sendo reconhecido pelo MEC pela portaria n° 402 de 24/06/80.
No período de 1984, o departamento de enfermagem desvincula-se da Medicina, ficando agregado ao Curso de Enfermagem e Obstetrícia, continuando independente porém mais autônomo.
Dando continuidade a sua política de fortalecimento, o Curso transforma-se em Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia, em 28 de novembro de 1988, através da portaria do MEC nº 581.
Inicialmente o Curso de Enfermagem e Obstetrícia oferecia 40 (quarenta) vagas, com ingresso anual. Na década de 80, por interesse do Ministério da Educação e Cultura, este passa a oferecer 50 (cinqüenta) vagas, que em 1988 foram divididas no duplo ingresso, através do processo n° 23.110.003899/860-4 aprovado em reunião do Conselho Coordenador do Ensino, da Pesquisa e da Extensão (COCEPE), em 21/07/88.
A educação ministrada pelo Curso de Enfermagem e Obstetrícia teve por objetivo fundamental formar profissionais que, através da compreensão do homem como elemento bio-psico-social, em constante adaptação ao meio, fosse capaz de atuar nas várias fases do ciclo saúde-enfermidade.
Com base no parecer 163/72 do Conselho Federal de Educação, sobre currículo mínimo dos cursos de graduação em enfermagem, esta escola estabeleceu o currículo vigente até 1996, relacionado na proporção de 60% de atividades na área hospitalar e 40% na área comunitária. As modificações ao longo do tempo ocorreram em função de estudos específicos, ocasionando alterações, apenas na tábua curricular. A construção teórica do currículo mínimo, baseada no parecer 163/72 do Conselho Federal de Educação, é avaliada como uma fragmentação na formação do enfermeiro, já que a compartimentalização em ciclos pré-profissional e habilitação favorece a compreensão dicotomizada do homem e do processo saúde-doença.
O primeiro currículo do Curso de Graduação em Enfermagem e Obstetrícia possuía a seguinte carga horária: disciplinas obrigatórias com 2505 horas e o estágio complementar com 270 horas, perfazendo 2775 horas. Com a acréscimo das disciplinas pedagógicas com carga horária de 270 horas compondo o Currículo de Licenciatura Plena em Enfermagem e Obstetrícia, resulta em uma carga horária curricular de 3045 horas ofertada para o acadêmico da graduação de enfermagem .
Ao longo dos últimos anos, as escolas de enfermagem, as associações de classe, os Conselhos regionais e o Conselho Federal, desenvolveram estudos sobre os currículos de enfermagem, o que culminou com a determinação da portaria ministerial n° 1721 de 15 de dezembro de 1994 e reeditada em 1996, onde estabelecia um prazo limite, ou seja, o 1° semestre do ano de 1997, para implantação deste novo currículo, que previa carga horária mínima de 3.500 horas, e aparece o Estágio Curricular como disciplina obrigatória para a integralização curricular.
Nesta escola foi criada uma comissão no ano de 1995 a 1996 para estudar e elaborar uma proposta curricular. Concluída a proposta em setembro de 1996 foi encaminhada ao COCEPE para análise e aprovação. Foi aprovada por este órgão em 17-01-97, conforme trata o processo n° 23.110.003736/9611. E o novo currículo foi implantado, conforme previa a lei, em março de 1997, com carga horária de 3.600 horas distribuídas em 9 semestres.
Ainda em dezembro de 1996, é aprovada a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a Lei n° 9.394/96 que em seu artigo 44 trata das diretrizes curriculares para os cursos de graduação, bem como a criação dos cursos seqüenciais por campo de saber, desencadeando novas discussões no que se refere ao ensino de graduação.
2. A proposta pedagógica
A elaboração da proposta pedagógica se alicerçou inicialmente em um paradigma filosófico e conceitual, enquanto sistematização de uma reflexão de mundo e relações.
2.1. Referencial Filosófico
Um referencial filosófico nos dá o sentido orientador, iluminando o nosso caminho, produzindo em nós um sentimento de inquietação existencial e nos compele ao dever de sermos mais naquilo que já somos e fazemos, naquilo que vemos e ouvimos, tocamos e sentimos, falamos, cremos e esperamos. (Buzzi, 1993). Na busca de explicitar referenciais teóricos, marcos teóricos ou conceituais, Trentini (1987) considera que são concepções ou abstrações ou imagens mentais, derivada da percepção e experiência de cada ser humano, direcionada para contextualizar a realidade; não são definitivas e subsidiam novas interpretações para explicar a realidade. Acreditamos que um referencial pode fazer com que nos movimentemos na busca de caminhos que enriqueçam nossas ações. Para Leopardi (1993), ele nos fornece instrumentos para a compreensão da realidade. Para o delineamento deste referencial partimos da compreensão de que a enfermagem é uma profissão aprendida no curso de graduação em enfermagem e exercida conforme estatuto legal que regula a atividade de diferentes componentes do grupo profissional: enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem. A formação do enfermeiro se dá em um espaço pedagógico cujo currículo deve integrar os saberes, práticas e fundamentos ideológicos que sustentam o fazer profissional. Essa compreensão da enfermagem satisfaz dois critérios que definem uma profissão: o aprendizado em curso próprio e o domínio de sua área de atuação. Temos clareza que a formação do profissional enfermeiro se dá através de um conhecimento que não se constitui em produto estático. Não sendo um conjunto isolado de informações, porém um conjunto comprometido com determinada visão de mundo que se manifesta no processo de investigação do real. A demarcação dos limites conceituais teóricos que orientam o Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia (FEO) tem como escopo indicar os conceitos e pressupostos teóricos, fontes dos princípios científicos, epistemológicos e éticos do conjunto de disciplinas que dão sustentação à prática profissional da enfermagem. Nesse sentido, a análise dos suportes teóricos, centrado na concepção de enfermagem, deverá contemplar suas diferentes dimensões. Nestas diferentes dimensões concebe-se o ser humano como um indivíduo singular, único que se relaciona com outras pessoas em um processo de interação, compartilhando experiências e emoções. É um sujeito que através da reflexão do seu contexto sócio-econômico-cultural-político-histórico, é capaz de influenciar e ser influenciado, transformar e transformar-se. No contexto em evidência os sujeitos sociais são todos aqueles envolvidos no processo ensino-aprendizagem. Este é um meio que objetiva o desenvolvimento da consciência crítica, enquanto essência da educação. O diálogo é o fio condutor deste processo na busca da intencionalidade, visando a formação do profissional crítico, reflexivo e criativo. Educador e educandos são portanto sujeitos de um processo em que crescem juntos porque "...ninguém educa ninguém, ninguém se educa; os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo." (Freire apud Nietsche 1993) O corpo de conhecimentos teóricos e práticos desenvolvidos pela enfermagem aplica-se na promoção, proteção e recuperação da saúde, constituindo essa prática na assistência de enfermagem direta e indireta, abrangendo cuidados dirigidos à indivíduos e coletividades e ações educativas e gerenciais. Campo de saberes e de prática, direcionado à promoção, proteção e recuperação da saúde, no qual as questões biológicas e sociais se encontram e se integram. A concepção da saúde como um direito do indivíduo, ampliou a sua dimensão social, atribuindo ao Estado o dever de garantir esse direito, mediante política públicas e sociais, que visem a redução dos riscos de adoecer, acesso universal aos serviços de saúde e melhoria da qualidade de vida. Essa concepção conferiu à questão da saúde uma dimensão política, que vai se expressar no compromisso social do enfermeiro com as populações assistidas, conferindo ao seu fazer um caráter de prática social. Como profissão, a enfermagem obedece a um código de ética, que, formulado dentro dos princípios filosóficos humanísticos, valoriza e atribui significado e dignidade à vida humana e a capacidade do homem de decidir sobre a sua própria vida. Portanto, o que se fala é de um humanismo que privilegia não só a razão científica, como também sentimentos, valores culturais e éticos no homem, capaz de simultaneamente desvendar a natureza, e construir formas de organização social sempre mais orientada ao incremento do bem estar e felicidade. A definição dos princípios éticos que demarcam a prática de enfermagem e a articulação desses princípios ao compromisso social que a enfermagem estabelece, a partir de um conceito de saúde como um processo determinado contextualmente, coloca o próprio código de ética dentro de uma dimensão social e ideológica. O conteúdo teórico-prático do curso de enfermagem, deve, assim, contemplar os aspectos referentes às ciências que cuidam da saúde dos indivíduos e coletividades - ciências biológicas e as demais disciplinas científicas nas quais às práticas de cuidar e assistir se fundamentam -, e, do mesmo modo, deve contemplar as ciências sociais - antropologia, sociologia, psicologia e filosofia que explicam a relação dos homens entre si e as formas de organização que caracterizam o seu tempo. Exercida enquanto prática social, em um contexto social, cultural e humano, tendo por centro de suas atividades o ser humano, sadio ou doente, a prática de enfermagem apoia-se em princípios éticos e ideológicos, cujos fundamentos integram, também, o marco conceitual da enfermagem.
3. Perfil
O perfil do enfermeiro que queremos formar atende a um sentido político, na formação de um cidadão individual e coletivo; um sentido pedagógico num processo de reflexão crítica dos conteúdos e do fazer; um sentido pessoal, com ênfase na humanização e preservação dos valores culturais; um sentido profissional, com autonomia e compromisso social.
Competências e Habilidades
O graduado deverá ser capaz de:
· Atuar nos diferentes cenários da prática profissional considerando os pressupostos dos modelo clínico e epidemilógico;
· Identificar as necessidades individuais e coletivas de saúde da população, seus condicionantes e determinantes;
· Intervir no processo saúde/doença responsabilizando-se pela qualidade da assistência e cuidado de enfermagem ao ser humano em seus diferentes níveis de atenção à saúde, na perspectiva da integridade da assistência;
· Prestar cuidados de enfermagem compatível com as diferentes necessidades apresentadas pelo indivíduo, pela família e pelos diferentes grupos da comunidade;
· Compatibilizar as características profissionais da equipe de enfermagem às diferentes demandas dos us uários;
· Incrementar às ações multiprofissionais;
· Gerenciar o processo de trabalho em enfermagem em todos os âmbitos de atuação profissional;
· Reconhecer o impacto, das ações desenvolvidas, através do processo de avaliação.
· Planejar, implementar e participar dos programas de formação e qualificação contínua dos trabalhadores de enfermagem e de saúde;
· Participar no processo de formação de recursos humanos; de outras áreas no âmbito dos conhecimentos da enfermagem;
· Planejar e implementar programas de educação e promoção à saúde , considerando a especificidade dos diferentes grupos sociais e dos distintos processos de vida, saúde, trabalho e adoecimento;
· Desenvolver participar e aplicar pesquisas e/ou outras formas de produção de conhecimento que objetivem a qua lificação da prática profissional;
· Respeitar o código ético os valores políticos e os atos normativos da profissão;
· Intervir na dinâmica de trabalho institucional, reconhecendo-se como agente desse processo;
· Utilizar os instrumentos que garantam a qualidade do cuidado de enfermagem e da assistência a saúde;
· Participar da composição das estruturas consultivas e deliberativas do sistema de saúde;
· Participar dos movimentos sociais da área de saúde.
4. Objetivos
· Desenvolver conhecimentos específicos básicos em ciências da saúde englobando um corpo de conhecimentos das ciências humanas e biológicas que servirão de sustentação para o desenvolvimento dos fundamentos do cuidado no assistir e administração em enfermagem, levando em consideração a natureza humana em todas as suas dimensões do ciclo vital.
· Estimular atitudes de resgate dos valores fundamentais do ser humano na perspectiva de uma relação entre o pensar e o fazer através da humanização do processo de trabalho com o compromisso Técnico-científico e social.
· Incorporar a ciência/arte do cuidar como instrumento de interpretação profissional, tendo como pressuposto o assistir, o administrar, o educar e pesquisar do enfermeiro.
· Estabelecer novas relações com o contexto social, reconhecendo a estrutura e as formas de organização, suas transformações e expressões com a construção da cidadania individual e coletiva, de um ser reflexivo, participativo e crítico, em relação à realidade das políticas sociais e organização da sociedade.
· Desenvolver um sentido de inclusão no grupo profissional e reconhecer-se como coordenador do trabalho de equipe de enfermagem, exercendo autonomia frente ao exercício da profissão construída através da participação da conscientização, do compromisso social da busca da identidade e da éticaprofissional.
· Compreender a política de saúde no contexto das políticas sociais, reconhecendo os perfis epidemiológicos da população comprometendo-se científica e socialmente com a realidade em que está inserido através de intervenções planejadas estrategicamente.
· Reconhecer que o trabalho na saúde e na enfermagem é um processo que não se dá isoladamente mas, majoritariamente de forma coletiva e que as relações de trabalho tem influência na enfermagem e na saúde.
· Reconhecer-se como sujeito no processo de formação de recursos humanos.
· Comprometer-se com os investimentos voltados para a solução de problemas sociais.
5. Marco metodológico
A metodologia adotada pela Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia da UFPel apoia-se em dois critérios:
1. A natureza da enfermagem que, sendo uma disciplina aplicada necessita ser aprendida na prática;
2. Os pressupostos ideológicos em que se assenta a prática pedagógica formulada pela pedagogia crítica.
Atendendo ao primeiro critério, a carga horária do curso de graduação em enfermagem, de 3.600 horas, foi distribuída em 1575 horas teóricas, em sala de aula, leitura, estudo dirigido, e 2025 horas de aulas práticas, laboratórios, estágios. Em obediência aos princípios da pedagogia crítica, será facultada aos acadêmicos a participação nas atividades curriculares em todos os níveis. O currículo atual, decorrente de uma formação tradicional e tecnicista - típica do modelo nightingliano - revela uma concepção de homem inserido num mundo a ser conhecido através de informações que lhe serão fornecidas e que foram consideradas as mais importantes e úteis para ele com o objetivo de habilitá-lo a reprodução de técnicas. Esta proposta mantém a sociedade existente regendo o homem crítico - pessoa concreta que determina e é determinado pelo social, político, econômico e individual pela própria história. Além de caracterizar-se pela rotinização somada ao estímulo de um comportamento passivo frente a realidade, considera a doença como um fenômeno puramente biológico, decorrente da não adaptação do homem ao meio. A fragmentação, também, oriunda do modelo teórico curricular, além de dividir a sociedade e o homem em partes, dissocia estas do todo. Se avaliadas as disciplinas isoladamente e no seu conjunto, observa -se ementas e conteúdos não integrados entre si, o que fortalece uma visão de homem e sociedade desvinculada da realidade. Reconhecendo os limites impostos por um modelo de sociedade e pela produção destes modelos nas relações cotidianas que estabelecemos, propomos um currículo baseado nas teorias pedagógicas críticas. Buscamos uma identificação com a escala crítica social dos conteúdos, utilizando também subsídios herdados da Escola Libertadora em contraposição e convívio próximo a nossa herança tradicional-tecnicista. Refletir sobre esta realidade implica em não reduzir a enfermagem, enquanto utilitária de técnicas absolutamente neutras, mas em compreendê-la enquanto categoria atributiva de uma cultura, inserida no contexto social. Propomos uma escola difusora do saber acumulado ao longo da história, onde o professor tem o papel ativo, mediador da relação sujeito e ambiente, numa relação horizontal, tendo o aluno como indivíduo concreto, determinado e determinando a história individual e coletiva. Esta proposta é decorrente da compreensão da saúde-doença enquanto um processo socialmente determinado e no qual a prática da enfermagem deve ser oferecida aos indivíduos considerando seus corpos e seus valores culturais. Assim, é necessário preparar o aluno para o mundo e suas contradições, onde sua participação é importante através da reflexão crítica. Os conteúdos programáticos devem conduzir ao perfil profissional do enfermeiro, devendo partir de elementos como os indicadores de saúde e indicadores dos serviços de saúde e as novas tendências da enfermagem.
6. Referencias Bibliográficas
BUZZI, Arcângelo R. Filosofia para principiantes: a existência humana no mundo. 3ªed. Petrópolis: Vozes, 1993. 150 p.
LEÓN, Zênia de. Pelotas, casarões contam sua história.1ª ed. São Lourenço do Sul: D.M. Hofstätter, 1994. V 2.
LEOPARDI, Maria Tereza. Por quê filosofia em enfermagem. Texto e Contexto Enfermagem. Florianópolis, v. 2, n.1, p. 5-10, Jan./Jun., 1993.
TRENTINI, Mercedes. Relação entre teoria, pesquisa e prática. Revista da Escola de Enfermagem da USP. São Paulo, v. 21, n. 2, p.135-143, Ago., 1987.
NIETSCHE, Elisabete Albertina. Uma proposta pedagógica e emancipatória para o curso de enfermagem da UFSM. Santa Maria . 1993.(digitado).
MENDONÇA, Afra Suelene A. F. et al. Proposta para implementação do novo currículo de graduação de enfermagem: o enfermeiro que queremos formar. Pelotas. 1994.(digitado).